sexta-feira, 16 de março de 2012

Ciúmes


"Para que me pôr no tronco
Para que me aleijar
Eu juro a vosmecê
Que nunca vi Sinhá
Porque me faz tão mal
Com olhos tão azuis
Me benzo com o sinal
Da santa cruz"
(Sinhá - João Bosco/Chico Buarque)


Aquilo que move a dor à razão tarda
Toda explicação é qual fruto estéril

Quando o coração torna-se terra fértil
Para ervas que se alimentam de mágoas.

As alegrias se agarram nas barras da história
Para a lucidez solfejar à memória o que restou...

Mas quem ouvirá a rouquidão do amor?
Os lábios já herdaram a fé do inquisidor:

Respostas queimando em fogueiras inglórias

Pecados imperdoáveis que ninguém praticou.





(John Coltrane - In A Sentimental Mood)
(Arte tirada da web/autor desconhecido)

6 comentários:

  1. Vou dizer que não vim
    saindo na ponta dos pés;
    vou negar que li, sim,
    fazer conto de réis
    do que roubei com amor:
    "Os lábios já herdaram
    a fé do inquisidor,
    pecados imperdoáveis
    que ninguém praticou."

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  2. pecados não carecem de perdão, drica, querida.
    bom revisitar seu blog e te ver desfiando verbos.

    beijos meus,

    r.

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  3. O meu pranto escondeu as sílabas de uma palavra
    O meu céu não precisa de Sol para ser azul
    A minha emoção transbordou nesta clara manhã
    Tal como as incontidas águas que correm para sul

    Este Inverno que o meu querer instaurou
    Tem o rosto coberto por densa bruma
    Tem a força de todas as marés esta emoção
    Que devolvi hoje à espuma

    Doce beijo

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  4. Saudações quem aqui posta e quem aqui visita.
    É uma mensagem “ctrl V + ctrl C”, mas a causa é nobre.
    Trata-se da divulgação de um serviço de prestação editorial independente e distribuição de e-books de poesia & afins. Para saber mais, visitem o sítio do projeto.

    CASTANHA MECÂNICA - http://castanhamecanica.wordpress.com/

    Que toda poesia seja livre!
    Fred Caju

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  5. os pecados e o perdão na terra das ervas daninhas e da vegetação indesejada: eis o que jamais cessa no tempo dos afetos.
    arda a pele, rasgue-se a carne, vaze o sangue escuro e renove-se o ser, agora sem nome, identidade ou lugar onde permanecer para além do tempo.

    beijinho, pólen. que bom saber-te por aqui!

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