quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Sobre o sonho e as estrelas



... Os corpos
circulando
na varanda dos braços.
É a mais alta constelação.
(Carlos Nejar)


O sonho não tem nada a ver com o sono!
Não é por dormir que sonhamos
É a noite
Muita luz nega à vista ousar na criação
(é apoucada, quase nada, a fantasia do dia)
Sonhar requer direção e baixa claridade
O que precisamos mesmo é das estrelas
Indicam o caminho para que ele aconteça
(guias noturnos das fantásticas jornadas)
Não se pode, porém, prescindir da cama
É leito (onde flua o que d'outro tempo flutua)
Se a aurora, com um sopro quente nos acorda
A lembrança daquele céu vem e logo transborda
Era vida misteriosa, com exibidas reticências...
Brilhantes intermediárias do que é inconfesso
Dos espaços entre elas...
Ah... Brotam universos...


(Não é que o céu pela manhã seja mau...
O problema é que, às vezes, sinto que o sol,
de tão sozinho... Mais parece um ponto final.)


(Imagem: Órion - www.astrolabia.wordpress.com)

28 comentários:

  1. Há mais mistérios entre o sonho e as estrelas do que supõe a nossa vã filosofia.
    Poema para ninar asteroides.
    Não menos importante que os seus anteriores.
    Abraço grande.

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  2. Caramba, vou e volto e torno cá, leio e releio e a cada delas mais consegue me surpreender... mágico, suave e belo e mais... faz repetir a voz que me disse hoje: "que seria do mundo sem poesia"...

    Bjs, Srta. Raposinha! :)

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  3. LENDO E RELENDO... Nem sempre dá pra expressar o que alguns de teus textos causam em mim, Adriana... este [em especial] pareceu mágica... como se falasse tudo o que quero dizer e não disse... guardam aquilo que reside na protopalavra, no seu nascedouro... berço de estrelas... há neste, como noutros mais, um desejo de completude infindável [ou é o que há em mim ao lê-los]... bjs...

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  4. bastava-me ler o título deste post para percebr que estamos, ambos, voltados para os mesmos céus :)
    um beijinho e parabéns pela elegância e relevância poético-sensível do espaço!

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  5. Muito bem dito o que foi sentido...Penso na escuridão, sim, como ferramenta de criação. Luzes às vezes ofuscam...
    Beijinho,

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  6. TUDO BEM?

    O QUE ABUNDA EVENTUALMENTE, ESCASSEIA.

    Este é um título perigoso, pois a colocação da virgula é tão imprescindível como a vestimenta de um astronauta, nas suas viagens espaciais.

    Mas, indo objetivamente ao assunto e sem maiores churumelas ou subterfúgios , sempre gostei muito de pássaros , mantenho as gaiolas absolutamente, limpas, comida farta e água renovada.

    Antes, não suportava a idéia de admitir um pássaro em cativeiro, com todo o espaço do mundo à sua disposição, o céu azul infinito e ele ter que ficar trancafiado.

    -Como minha senhora? A senhora se sente assim, no seu casamento?

    Perdoe , mas contente-se ao lembrar que um astronauta dentro da cápsula espacial ...

    SE VOCÊ CONSEGUIU GOSTAR (RS), LEIA INTEGRALMENTE NO MEU BLOG DE HUMOR:

    "HUMOR EM TEXTO".

    LÓGICO, VÁ SE QUISER, MAS VÁ (RS).

    PELO AMOR DE DEUS!!!!!!!!!!!!(RS).

    UM ABRAÇÃO CARIOCA.

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  7. E o melhor de tudo, Paulo Jorge, é que, dada a quantidade de estrelas, as possibilidades e os mistérios são infinitos...
    Que bom tê-lo de novo por aqui!!!

    Beijos...

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  8. Eita, Chico...
    O que posso dizer é que, lembrando também o que disseste num dos teus textos lá no seth-hades, tanto os espaços entre as estrelas quanto os brancos entre as palavras guardam mundos nos quais podemos nos completar...

    Beijos de raposa!!!

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  9. Jorge, querido, que bom que vieste até cá!!!

    Os mesmos céus sim... Da boca ao firmamento.

    Outro beijinho pra ti!
    Estarei sempre por lá, viu!!!

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  10. Querida Tania, também penso que a escuridão é sempre fecunda... Quando não podemos ver, somos incitados a imaginar é e aí que mágica acontece.

    Muitos beijinhos pra ti...

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  11. Olá, Paulo! Tudo bem!!!

    O que abunda e não escasseia no "Humor em texto" é o riso...
    kkk... Já estou por lá!!!

    Um abraço maranhense.

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  12. olá, pólen,
    voltei cá e li a réplica que deixaste nas minhas palavras. agradeço-as, como as que pousaste sobre a secretária do viagens a propósito do "etiquetas". a minha romagem passa também por aqui :)
    um beijinho!

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  13. será que a lua também não está só, em dia de céu sem estrelas?
    Adorei as últimas três linhas. (o poema inteiro também, só que o desfecho ficou muito bom!)

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  14. Fodona você, Pólen!!!
    Bem, só li este poema e o anterior, Cambiantes.
    Estou virado, tanto quanto meia garrafa de pinga que me acompanhava, não consigo ler mais do que isso, nem reler isso - isso o quê mesmo? Periga amanhã voltar aqui e ter uma impressão totalmente outra. Melhor maneirar um pouco na empolgação:
    Semifodinha você, Pólen!!!
    Beijos (ões ou inhos?)

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  15. Olá, Jorge!
    Acredito que o trânsito entre lá e cá será fértil e iluminado.

    Mais beijinhos...

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  16. Oi, Mina!!!

    Acho que a beleza e a nobreza da lua traz sempre a necessidade de uma corte (nós e todos os astros da noite)...
    Adorei a visita!

    Beijos...

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  17. Impressão esta ou outra, o importante é celebrar... A noite, as estrelas, os encontros nelas e com elas...
    Brindemos, pois!!!
    Beijos(inhos e ões)...

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  18. Tuca Zamagna, o comentário acima é pra ti, querido!

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  19. entrei sem ser convidado...rs... trazido pela mão amiga e inconsciente de pedro ramúcio...

    li e reli.
    e gostei.

    vou ficar fosforescente pelas próximas horas.

    abração do

    r.

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  20. Olá, r.

    O espaço é nosso!!! Fico muito contente que tenha entrado e ainda mais que tenha gostado.
    Venha sempre!

    Beijos

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  21. gostei de sua reflexão poetica,lindo poema!!!

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  22. Os sonhos e as estrelas deram boa inspiração.;)!
    Prazer em conhecê-lo, Rodrigo! Valeu pelo comentário tão gentil.

    Beijos

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  23. Adorei a visita, Camila!
    Beijos, querida.

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  24. Simplismente belo!
    Aprecio esse clima quimérico...

    E lembrei do Antunes: " Não há sol a sóis."

    Beijo em ti.

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  25. Eu só durmo no completo escuro, assim meus sonhos parecem ser mais real.

    bjs
    Insana

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  26. Olá, Cris! Seja muito bem-vinda!!!
    Sou simplesmente louca pelo Arnaldo...
    Lembrei agora também do poema do Leminski que ele canta: "Essa noite vai ter sol"!!!!!!!
    Só mesmo a poesia pra fazer isso.

    Beijos

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  27. Insana, querida... Pois apaguemos as luzes também durante o dia...

    Que bom que veio!!!

    Beijos...

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