domingo, 10 de outubro de 2010

Ainda o Tempo (Considerações sobre a Espera)


A noite nunca se deitou sobre aquele lago
A eternidade: uma deformação da existência...
E ainda estou lá, com minhas raízes entre os pássaros.
Era tarde, mas eu não soube como partir.
Não confies no que conta com a linguagem...
Minha paciência tem a dimensão fractal
Do abismo verde que vi em teus olhos negros.
Penso na graça exótica da samambaia virgem
Que enfeita a varanda com seu choro ornamental
Um alívio se confunde com a mácula que causa este amor.
O que tenho torna o ar tão úmido quanto teu hálito
Respiro-o na estiagem com a alegria de ter esperado
E o coração se fecha para descansar dessa vertigem.






Charlotte Gainsbourg-In the end

(Ima gem: Banco de imagens do Google. Crédito não identificado)

32 comentários:

  1. Muito bom, uma parte que me chamou a atenção foram a das raízes e dos pássaros. Para mim o primeiro representa o ficar, enquanto as asas do outro representam o partir. Excelente!

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  2. [tantas os momentos e emoções que mesmo colando-se ao tacto, assemelham-se a ilusão: a palavra refaz tudo o chão parece tragar, mas o poema não!]

    um imenso abraço,

    Leonardo B.

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  3. cada palavra abraça
    (não pega na mão abraça logo)
    a quem ouve e vai se beirando
    ao abismo, ao lago, a todo tipo
    de humores dos olhos
    (e dos lábios)
    pois assim se cantam
    os versos,
    os teus versos
    ...

    beijo carinhoso.

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  4. Querido Caju,

    Tem coisa melhor (e pior) que se plantar entre os pássaros? Quando não se tem um pouso, quando a viagem parece ser eterna, o cansaço rouba a graça de sempre voar.

    Beijo grande!!!

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  5. Leonardo,

    Acho que o poema é o riso e o choro. Não é mesmo? Febre e frio devassados quando se lê ou escreve.
    Sinto isso sempre que navego na Barca.

    Beijos, querido...

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  6. Estou sentindo-me abraçada por ti, Domingos!
    "a quem ouve e vai se beirando
    ao abismo, ao lago, a todo tipo
    de humores dos olhos
    (e dos lábios)"
    Coisa linda isso aqui, meu amigo!!!

    Obrigada pelo carinho tão presente.

    Beijinhos...

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  7. na estreiteza do lago
    larga é a espera
    entre as margens
    dos lábios

    beijo, flor de pólen encantado!

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  8. Esperar, ancorar. Se espalhar, despertar.
    Ter um cais, um olhar pra repousar.
    Uma margem de amor para deitar.
    E asas para voar!
    Voar e esperar!

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  9. "dos lábios
    larga é a espera
    entre as margens
    na estreiteza do lago"

    Cris... Adoro você!!!

    Flor de pólen encantado por ti,
    Beijos...

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  10. Josse, minha linda...

    Tuas palavras são asas que na espera ou no vôo nunca destoam

    Mil beijos...

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  11. Olá!

    Aqui me deliciando com o seu poetar! Que coisa linda! Adorei isso: "E ainda estou lá, com minhas raízes entre os pássaros."

    Perfeito, simples assim! rs

    Beijos, querida.

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  12. Adoro ler quem escreve dessa forma entregue.

    Amei!

    Beijo.

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  13. Preciso saber fechar meu coraçao.

    bjs
    Insana

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  14. Texto vertiginoso...
    Sinto-me no centro de um vórtice, enquanto leio.
    Lindo demais, Pólen!
    Beijos.

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  15. Conseguiu misturar bem os artifícios da poesia à simplicidade natural.

    Parabéns.

    (Música agradável, também.)

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  16. Pá.ciente veia cava a via...
    Mas ver-gasta dia.me.em.são...
    Fecha coração a.cá.dê.adro...
    Com.fiar é teia que é nossa
    Não de quem com.fiado deu
    Do cora.são acha.vê...

    Belo, suave, poético de vera, e com uma leve tristeza ao fundo com incenso...

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  17. temos mesmo que obedecer quando o coração pede descanso.

    bjs meus

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  18. por mais que anuncie verbicídios, congratulo-me por nunca ter sido capaz de liquidar as palavras. pelo menos enquanto houver quem escreva como tu.
    identifico-me profundamente com a tua escrita, pólen.
    um beijo!

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  19. Colecionadora de Silêncios...
    O Mia Couto tem o livro intitulado "Antes de nascer o mundo" cujo personagem principal é um menino que possui uma linda característica: É um afinador de silêncios...
    Sempre que tu apareces por aqui, lembro-me dele. Teus silêncios e tuas palavras me causam um prazer enorme, querida!

    Beijos...

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  20. Larinha, sinto-me tão honrada e feliz quando tu me lês.
    Tenho uma profunda admiração e gosto pelo que tu escreves.

    Muitos beijinhos, linda...

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  21. Só se for pra descansar um pouquinho, querida Insana.
    O mundo é por demais vasto e tua alma sensível pra que ambos não se encontrem na beleza que cada um oferece.

    Beijo, linda.

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  22. Linda, linda Zélia...

    Às vezes, meu coração tem se sentido assim.

    Um beijo grande, querida!!!

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  23. O Pólen fica deveras radiante sempre que apareces por aqui, querido Bardo. E ainda mais quando gostas do que lê.

    A Charlotte é uma flor rara!!!

    Beijos...

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  24. Muitas saudades de ti, Chico querido!!!

    Corações... Cadeados... Chaves...

    Se não dá pra abrir, porque será que teimamos em fechar se sempre podemos usar um bom e velho pé-de-cabra? rsrs

    Beijinhos, amigo!!!

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  25. Será mesmo, Fernand's? Às vezes, penso que nos deixamos levar demais por sua teimosia em permanecer num lugar só.

    Beijinhos...

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  26. A palavra nunca é um mero referente pra ti, Jorginho. É por isso que o que tu escreves me afeta tanto.
    Fico aqui tentando ler tudo que elas realmente dizem.

    Beijinhos e cheiros...

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  27. Apesar do meu estilo ser bem diferente, mergulho de cabeça na sua escrita, Pólen. É como se a poesia fizesse "encosto" em você. Lindo demais. Bjs.

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  28. querida adriana,
    a propósito da pérola que acabas de pousar nas viagens:
    os dois versos finais acabam de ganhar sentido no corpo que lhes vestes, corpo de escopo fino e olhar certeiro.
    por que razão os signos moribundos sempre estendem os dedos para aqueles que os não já sabem dizer? por que não sabem morrer de olhos fechados e pele seca? talvez porque as bocas tenham o seu tempo e o dizer se inscreva num permanente devir...
    belíssimo! lisonjeias-me com a dedicatória.
    um beijinho!

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  29. achei muito bonito. denso.

    belas imagens poéticas.

    um beijo e boa semana!

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  30. Belo post, belo espaço!

    Parabéns, muito bom mesmo!!!

    Conheça o meu espaço...
    http://mailsonfurtado.blogspot.com

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  31. Toda a espera vale a pena, pois, embora o outro não venha, ainda sim é bom o tempo que passamos imginando a presença de quem esperamos!

    Um abraço!

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  32. Poema (ins)piradíssimo, Pólen.
    Estes versos me chamaram particularmente a atenção:
    "Minha paciência tem a dimensão fractal
    Do abismo verde que vi em teus olhos negros."
    Belo em todos os sentidos.
    Abreijos.

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